Laura Sanches: “Os bebés sofrem de stress como nós”

Todos os pais amam os filhos, mas e o resto? Como se educa uma criança segura? De onde vêm as birras? Qual a importância do colo? A psicóloga clínica Laura Sanches explica isto e muito mais em Amar Não Basta (embora ajude bastante). Um livro para pais que desejam saber o que sentem os seus bebés

Entrevista de Ana Pago | Fotografia de Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Diz que os bebés sofrem de stress como nós. A que se deve esta reação inesperada neles – e forte ao ponto de muitas vezes se tornar um stress tóxico?
stress surge da ativação do nosso sistema de alarme e os bebés já nascem com o seu a funcionar perfeitamente – aliás, no último trimestre da gravidez já o têm desenvolvido e a operar em sintonia com as emoções da mãe. A partir daí, se são expostos a situações que os fazem sentir-se inseguros e os levam a ativar esse sistema de alarme antes de os pais conseguirem reconhecer e responder aos sinais que eles dão, os bebés ficam sob stress.

Mas não pode ser um stress positivo, se o bebé não se sentir ameaçado e inseguro o tempo todo?
Sim, há pequenos momentos que podem ser úteis para reforçar a confiança nos pais e até aperfeiçoar a resposta aos estímulos. Está provado que aquilo que vivemos nos primeiros anos, e como vivemos, pode ter um impacto permanente na vida adulta por definir a forma como o nosso organismo fica programado para lidar com todos os desafios que irá encontrar. O stress tóxico só surge se o sistema de alarme dos bebés for demasiado solicitado, o que no caso deles é desencadeado – tal como em todos nós, de resto – pelo sentimento de que a ligação com as pessoas importantes da sua vida está a ser ameaçada. As crianças nascem com o instinto de se ligarem a pelo menos uma figura de referência.

A mãe?
Por norma é a mãe. Foi ela quem esteve grávida durante nove meses, com o bebé a vivenciar e a ser afetado por todas as suas emoções dentro do útero. É ela quem passa mais tempo com o bebé após o parto. Então ele nasce com o instinto ativo de procurar o conforto da mãe – e quanto mais pequenino maior é a necessidade de contacto físico – para se sentir seguro com o seu cheiro, o batimento cardíaco, o calor do corpo dela quando lhe pega. Esta programação existe naturalmente. Claro que se por algum motivo a mãe desaparecer, o pai pode tomar esse lugar e preencher o vazio na perfeição.

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